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Se a sua vida ou a de alguém que conhece foi tocada pela dor do aborto,

Vinha de Raquel

Um caminho para recuperar a paz interior

A compaixão: deixarmo-nos ferir para ajudar a curar.

Há já algum tempo que tenho vindo a acompanhar, como Psicóloga, os Retiros da Vinha de Raquel. É nessa qualidade que me pediram para escrever sobre os Retiros. Mas ser técnica não faz de mim menos pessoa nem menos pecadora, por isso é nessa qualidade que eu escrevo. Em cada Retiro assistimos a verdadeiros milagres de conversão e também nós percorremos o caminho, partilhando a dor e a alegria, sustentando o sofrimento com o nosso consolo e o nosso abraço, entregando o desespero com as nossas próprias lágrimas. Santa Teresa de Ávila dizía a Jesus “Na terra não tendes outro corpo senão o nosso, não tendes outros pés senão os nossos, não tendes outras mãos senão as nossas. Os nossos olhos revelam a Vossa misericórdia para com o mundo, os nossos pés levam-Vos a fazer o bem. É com as nossas mãos que, doravante, podeis abençoar” e não vejo que se possa descrever melhor aquilo a que somos chamados na Vinha de Raquel.

Porque é que uma mulher ou um homem vivem trinta, quarenta ou mais anos amargurados e angustiados com o peso da culpa de alguma coisa que fizeram e que na altura lhes parecía ser o mais correcto? Eu penso que isto se deve, não apenas à lesão da própria natureza relacional da pessoa, mas, mais ainda, ao desejo de Deus os receber de volta. Neste sentido, a culpa é boa porque é o sinal de inversão de marcha que nos permite retomar o caminho da salvação. Assim, o primeiro passo do Retiro é reconhecer a culpa, a responsabilidade, enfrentar a irreversibilidade do acto, tendo sempre presente a Misericórdia de Deus. Enfrentar o desespero com os olhos postos na Esperança.

O segundo passo é o resolver de conflitos que inquietam o coração, o perdoar a alguém. Verbalizar a raiva que mina por dentro, libertar-nos da zanga contra quem nos fez mal, é por vezes tão doloroso, que não o conseguimos fazer sem ajuda. Torna-se quase mais fácil pedir perdão do que perdoar. Mas um coração que não consegue perdoar, também não encontra espaço para acolher o perdão. É verdadeiramente um exercício de arrumar a casa, limpar o pó, deitar fora o lixo, tirar as manchas das paredes, e finalmente prepará-la para receber algo que a vai encher de novo e dar-lhe uma nova vida. Um exercício que nos esgota física e psicologicamente, mas que nos faz desejar ardentemente acolher a própria fonte da vida.

No terceiro passo tratamos de refazer ligações. Quando uma mulher dá à luz uma criança, ela é a ligação fisica da criança com o mundo. Quando um aborto ocorre, a criança é a ligação espiritual da mulher com Deus. Por isso é tão importante o restabelecer a ligação com o bébé. Ligação essa que a circunstância da morte quase anulou, mas não destruiu. As memórias, dificilmente suportáveis, só podem ser avivadas porque são acompanhadas da compaixão de Cristo. Nesta fase trabalha-se o luto e a perda. Chora-se a morte junto da Cruz enquanto Cristo se entrega por nós.

Finalmente, chegamos ao dia em que encontramos o sepulcro vazio. Os bébés, que entretanto passaram a ser os “nossos bébes”, foram entregues a Cristo, e a certeza da Sua Ressurreição é também a certeza de que eles já gozam da união eterna com Deus e que na companhia dos Anjos e dos Santos intercedem por nós. É nesta altura que temos a certeza que estas crianças olham as mães e os pais, não com desejo de vingança ou castigo, mas com o coração de Deus, desejoso que o Seu perdão seja acolhido.

Depois de um caminho doloroso, muito doloroso, que até parecia ser impossível, dá-se o encontro com Cristo Ressuscitado que nos mostra as suas feridas ao mesmo tempo que nos dá a Sua paz. Sinal paradoxal este, no entanto bem real! Cristo mostra-nos que a Sua paz não se alcança através de um mero exercício psicológico ou de um esforço de esquecimento ou abstracção da realidade, mas é o fruto do Seu próprio sofrimento e da Sua morte na cruz. Não se encontra negando a dor, mas antes enfrentando-a com coragem e honestidade e entregando-a na Cruz.

Temos sempre bem claro que a graça de Deus, ainda que através da nossa intervenção, age muito para além das nossas expectativas e por isso, nos confiamos a Maria, Mãe Consoladora, pedindo-lhe que nos ensine a responder a Deus como ela fez: entregando-se ela acolheu Deus, e porque O recebeu, entregou-O.

Maria José Vilaça, Psicóloga da Vinha de Raquel em Portugal

Como falar da Vinha de Raquel :
“Ouvi falar do aborto de uma forma diferente. Estes falam de cura! É um projecto chamado Vinha de Raquel. Dizem que é para quem vive atormentado, angustiado, sem esperança e afastado de Deus…”

Como nos pode ajudar?

Donativos: A Vinha de Raquel vive de donativos. Cada Retiro mobiliza perto de 60 pessoas, desde os adoradores às pessoas que organizam a logistica e acompanham o Retiro (temos sempre um Padre, um Psicólogo, um coordenador e alguns monitores). Embora todos sejam voluntários, precisamos de cobrir as despesas do Retiro e de divulgação. No início deste ano, quando verificámos que não tinhamos dinheiro para fazer mais nenhum Retiro, Cina Leal, uma amiga do projecto escreveu um livro de poemas chamado “Na Orla do Manto” e ofereceu-nos todo o lucro das vendas. Com isso, fizemos um Retiro e temos ainda dinheiro para o próximo. Acreditamos que Deus continuará a providenciar, semeando a generosidade nos corações de quem entender o objectivo deste trabalho.

Oração: O nosso sustento é a oração: desde o minuto em que uma pessoa nos contacta expressando o desejo de cura, há uma outra pessoa encarregue de rezar por ela, para que seja ajudada na decisão. Durante o Retiro há um conjunto de pessoas em Adoração permanente no local do Retiro. Vinha de Raquel precisa sempre de voluntários para rezar!

Não sofra em silêncio. Ninguém esquece um filho que não nasceu - se a sua vida ou a de alguém que conhece, foi tocada pela dor do aborto, a Vinha de Raquel propõe um caminho para recuperar a paz interior. Durante um fim-de-semana, num ambiente de Retiro, a partir de uma partilha espiritual centrada em Jesus, chegamos ao encontro com a Sua Misericórdia.

Coordenadora em Portugal e Psicóloga: DrªMaria José Vilaça
(Tel: 917969041; Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)
Sacerdote: Pe.Fernando Paiva
Telm. 917354602.
E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
www.rachelsvineyard.org