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Se a sua vida ou a de alguém que conhece foi tocada pela dor do aborto,

Vinha de Raquel

Um caminho para recuperar a paz interior

Pela Vida: Vinha de Raquel, uma obra que ajuda a recuperar a paz e a harmonia interior depois do aborto  Mandy Erickson (adaptado para a Associação Vinha de Raquel)

Numa viagem ao México, a terra de seus Pais, ao visitar uma capela para fazer adoração, Rosemary Medeiros ouviu uma voz que lhe disse “Perdoei-te; agora perdoa-te a ti mesma”.

“Saí numa aflição”, contou-nos. “Sabia que tinha a ver com o aborto que tinha feito havia 33 anos.”

Ao acabar o liceu, enquanto ainda vivia com os seus Pais, a Rosemary ficou grávida na primeira vez que fez amor com o seu marido de hoje, Joey. Cheia de vergonha e medo que o Pai a expulsasse de casa, decidiram optar por uma clínica de abortos.

“Quando saí sentia-me tão vazia”, disse. “Tudo mudou para mim."

Depois desta experiência na capela, no México, voltou a casa e começou a ouvir uma rádio Católica. Ouviu falar da Vinha de Raquel, uma obra que organiza retiros para mulheres e homens que buscam a cura depois do aborto.

Pediu ao Joey para ir com ela ao retiro de fim de semana que ouviu anunciar.

Revelaram o segredo que tinham partilhado durante décadas aos seus filhos já crescidos. A Rosa Maria começou a contar a sua história para ajudar outras mulheres na obra da Vinha de Raquel que trata da cura após um aborto. Esta obra põe as pessoas em contacto com outras na mesma situação de culpa e mágoa, através de cura espiritual, durante os fins de semana de retiro.

A Vinha de Raquel começou nos Estados Unidos em 1986 com um grupo de apoio pós aborto. É hoje uma obra tutelada pelos Priests for Life, sem fins lucrativos e que oferece mais de mil retiros por ano pelo mundo fora. Em Portugal o retiro custa cerca de 100 € por participante, dependendo do local e existe a possibilidade de se recorrer a donativos que pessoas amigas vão fazendo.

Os retiros contam com cerca de 10 a 20 participantes – mulheres que abortaram, os seus parceiros, pais e irmãos de vítimas de aborto – e tem uma base Cristã.
São organizados por padres, terapeutas e pessoas que são particularmente sensíveis aos temas abordados. Recorrem à oração, meditações sobre a Bíblia e terapia para ajudar os participantes a abrir-se ao seu passado e a partilhar a sua experiência. Os participantes trabalham através de exercícios que lhes permitem expressar as suas mágoas – tantas vezes reprimidas – a ligar-se espiritualmente com a criança que não teve direito à vida e a aceitar o perdão.

Trabalhar as emoções com outros que passaram por experiências parecidas, é fundamental para a cura, diz Glória Maldonado, coordenadora de um outro programa chamado “Depois da Escolha”. “Sentem-se mais seguros. Conseguem partilhar porque sabem que os outros passaram pelo mesmo”.

Os participantes nos retiros “nunca tiveram a possibilidade de chorar o seu aborto” diz-nos Maldonado. “Foram obrigados a fingir que nunca aconteceu”.

Diz-nos ainda que a mágoa pode aparecer em qualquer altura. “Por vezes, uma mulher sente a dor do aborto que cometeu com a chegada de um neto”, conta. “E dizem que não querem continuar a sentir-se como se sentem por causa desse segredo”.

Glória Maldonado acrescenta que um aborto do passado pode ter um “efeito dominó” que provoca problemas com os filhos que nasceram. Nos retiros contou que os participantes “começaram a juntar os pontos e a compreender porque se sentiram sempre de uma certa maneira e porque as coisas na vida correram como correram.”

Depois do aborto em 1979, o Joey e a Rosemary lutaram durante anos com uma dor que não sabiam que tinham. Casaram um ano depois, quando a Rosemary ficou grávida. Quando disse aos pais, ficou surpreendida por descobrir que os pais ficaram muito contentes – o seu medo inicial de ser maltratada era infundado.

Cinco anos mais tarde, com dois filhos, divorciaram-se. Joey começou a drogar-se e a beber e deixou a terra. Mais tarde voltou, limpo e queria voltar a casar, mas, nessa altura, a Rosemary estava ela própria a lutar contra as drogas.

“Nunca fiquei livre da culpa” disse. “Voltei-me para as drogas e para o álcool”. Eventualmente, um susto com a sua saúde levou-a à recuperação.
Voltaram a casar três anos depois do divórcio, tiveram mais dois filhos venceram algumas recaídas, mas mantiveram-se juntos. “Não sabíamos a razão das nossas dificuldades” disse-nos a Rosemary “Tínhamos tão boas razões para viver bem e não sabíamos porque nos portávamos tão mal…”

Apesar de já sóbrios quando participaram no retiro da Vinha de Raquel, o fim de semana permitiu-lhes finalmente encontrar o perdão. “Compreendi que não sabia como lidar com o aborto e estava a fingir que não tinha acontecido”, disse-nos o Joey. O retiro “tocou-me profundamente. Fazemos uma coisa horrível e depois Deus dá-nos a graça do perdão.”
Num momento particularmente emotivo durante o retiro, a Rosemary sentiu-se enjoada e foi à casa de banho vomitar. O padre disse-lhe que tinha vomitado 33 anos de repressão.

 “Nesse momento, senti-me curada,” disse. “O inimigo tinha saído de mim”.

O retiro foi uma experiência tão libertadora para a Rosemary que ela decidiu dar testemunho. Hoje conta a outras pessoas que sim, é possível experimentar a Graça de Deus.
Avó de cinco netos, ainda pensa no Miguel (o nome que ela e Joey deram ao bebé que abortaram há 38 anos.) “Quem seria ele?” pensa “Um padre? Um médico a trabalha na cura do cancro? Mesmo depois da cura, é impossível esquecer.”

Como nós costumamos dizer “Ninguém esquece um filho que não nasceu.” Mas é possível recomeçar a viver sem culpa e sem ressentimentos.

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