Porquê a Vinha de Raquel:
Introdução
Temos bem presentes as palavras que o Papa Bento XVI pronunciou em Fátima, no dia 13 de maio de 2009, e que continuam a inspirar o nosso trabalho em Portugal:
“Exprimo profundo apreço a todas aquelas iniciativas sociais e pastorais que procuram lutar contra os mecanismos socioeconómicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto.”
Também o Papa Francisco conhece bem a Vinha de Raquel, pela sua ligação ao projeto na Argentina, e sublinha a importância deste caminho de reconciliação:
“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. (…) Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança.”
Carta do Santo Padre Francisco ao Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, 1 de setembro de 2015
Na Vinha de Raquel, estamos em plena comunhão com a Igreja e com todos os que sofrem as consequências do aborto. Caminhamos lado a lado com estas pessoas, acolhendo as suas feridas e partilhando a esperança.
Cremos que, diante deste sofrimento, estamos também na presença de Jesus Cristo, o médico divino, cuja Graça tem o poder de curar as feridas mais profundas do coração humano. Para homens e mulheres marcados por esta experiência dolorosa, a Vinha de Raquel oferece um espaço de encontro, de reconciliação e de verdadeira esperança.
O que é a Vinha de Raquel?
A Vinha de Raquel é uma obra de Compaixão e Misericórdia oferecida pela Pastoral da Família, que disponibiliza acompanhamento espiritual e psicológico, individual ou em grupo, a quem sofre devido à dor do aborto.
Neste serviço colaboram voluntariamente sacerdotes, psicólogos e outros profissionais, que oferecem apoio discreto e confidencial. O caminho de cura proposto integra duas dimensões complementares:
Espiritual, centrada na Pessoa de Jesus Cristo e na experiência do perdão de Deus;
Psicológica, que ajuda a lidar com a dor, a angústia e o sentimento de perda.
Ao longo do ano realizam-se os fins de semana de cura pós-aborto, que oferecem um espaço seguro e estruturado para quem procura reconciliar-se com a sua história.
O programa constitui uma oportunidade para aprofundar a experiência vivida com o aborto, identificar o impacto da perda no passado e no presente e reconhecer as feridas emocionais, que muitas pessoas carregam em silêncio.
Com frequência, o aborto envolve isolamento, o que pode originar uma espécie de dormência emocional. Porém, os sentimentos reprimidos podem emergir mais tarde sob a forma de dor psicológica ou de sintomas associados ao trauma pós-aborto.
A Vinha de Raquel oferece assim um caminho de cura e reconciliação, num ambiente de acolhimento, respeito e sigilo.
Objetivos
- Acções de Formação
- Oração
- Divulgar o Sindrome Pós Aborto
- Colaborar com a Igreja na resposta que dá aos males e consequências devastadoras do aborto.
O que dizer a quem precisa de ajuda?
Na Vinha de Raquel, este é um verdadeiro caminho pascal: passar da dor da morte à alegria da ressurreição.
“O próprio Jesus disse que vinha para chamar os pecadores e não os justos. Rezo para que todo aquele que participe na Vinha de Raquel com profundo desejo de ser livre e curado por Jesus possa encontrá-Lo, a Ele, fonte da verdadeira alegria, paz e amor, e permita que Deus o restabeleça na paz interior e na alegria. Rezo muito por vós. Que Deus vos abençoe.”
Ainda sobre a Vinha de Raquel
A Dra. Theresa Karminski Burke, psicóloga e doutorada, fundou em 1986 o Center for Post Abortion Healing (Centro de Cura Pós-Aborto), iniciando um dos primeiros grupos de apoio terapêutico para mulheres em experiência de pós-aborto.
Em 1994, publicou o livro Vinha de Raquel: Um Caminho Psicológico e Espiritual para a Cura Pós-Aborto, que apresentou um modelo inovador de acompanhamento. Este programa proporcionava uma experiência estruturada e profundamente significativa a mulheres em luto pela perda de um filho por aborto. No ano seguinte, o método foi adaptado ao formato de retiros de fim de semana, que rapidamente se difundiram devido à sua eficácia e impacto transformador.
Sem recursos financeiros ou promoção publicitária, a Vinha de Raquel cresceu sobretudo pelo testemunho de quem participou. Atualmente, realizam-se mais de 1000 retiros anuais em todo o mundo.
Além de autora, a Dra. Burke dedica-se à formação de profissionais nesta área. Todos os anos, os ministérios da Vinha de Raquel promovem a Conferência de Treinamento de Liderança, dirigida a quem coordena ou integra equipas do programa. A própria fundadora mantém um papel ativo no acompanhamento e capacitação de novas equipas em diversos países. O seu trabalho foi reconhecido pela nomeação como membro da Academia Pontifícia para a Vida.
Em colaboração com Barbara Cullen, doutorada em aconselhamento pós-aborto, a Dra. Burke tem acompanhado centenas de mulheres e homens neste caminho de cura. O projeto, iniciado nos Estados Unidos, expandiu-se desde 1993 para o Canadá, Austrália, África, Nova Zelândia, Rússia, Portugal, Reino Unido, Espanha e Itália.
Importa destacar que Portugal foi o primeiro país da Europa a implementar o programa da Vinha de Raquel.
A Dra. Burke é também coautora do livro Forbidden Grief: The Unspoken Pain of Abortion (Luto Proibido: a Dor Silenciada do Aborto), escrito em parceria com David Reardon, considerado o maior investigador na área do pós-aborto nos EUA. Este estudo detalhado reúne testemunhos reais e análises clínicas, permitindo compreender as consequências psicológicas do aborto e reforçando a necessidade de apoiar integralmente as mulheres neste processo.
Está em preparação a tradução deste livro para português, para que possa estar acessível a um público mais vasto. Quem desejar apoiar este esforço poderá fazê-lo através de colaboração voluntária ou contributo financeiro.
Isto diz o Senhor: ouviu-se uma voz em Ramá, lamentações e amargos soluços. É Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem. Isto diz o Senhor: Cessa de gemer, enxuga as tuas lágrimas! As tuas penas terão recompensa, os teus filhos voltarão da terra inimiga. Tens ainda uma esperança.Há muitas imagens e simbolismos ligados a uma vinha. É um lugar onde as uvas são cultivadas, podadas, levantadas e limpas para que possam dar uma colheita mais abundante. A vinha é um local de trabalho para o fabrico de vinho doce. Talvez a associação mais significativa com a videira venha das palavras poderosas e marcantes de Jesus que encontramos no capítulo 15 do Evangelho de João:
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.A Vinha de Raquel leva essa escritura ao coração, uma vez que o Retiro de fim-de-semana é um processo de cura espiritual e emocional. Na tentativa de compreender o mistério da morte, olhamos para Deus em tempos de angústia pessoal, trauma, e de perda da vida humana. A morte causada pelo aborto leva à angústia e desejo intenso por alguém que não pode ser recuperado. Choramos. Revivemos arrependimentos, o nosso papel no que aconteceu e a criança que perdemos. É nestes dolorosos momentos da perda que procuramos sentido – algum poder maior, além de nós mesmos, e a realidade de algo mais perfeito do que a nossa humanidade infinitamente frágil. Nos funerais e memoriais procuramos colocar os nossos entes queridos dentro do abraço soberano do Criador. Vemos as imagens em muitas passagens bíblicas em que Deus fala de restaurar as vinhas estéreis para a sua plenitude. A seguinte escritura reflecte o mesmo caminho que vai poder viver na Vinha de Raquel:
É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração. Dar-lhe-ei então as suas vinhas e o vale de Acor será como porta de esperança.
Então, te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o SENHOR.
Desde então, já se realizaram diversos retiros nas Dioceses de Lisboa e de Setúbal, estando a equipa disponível para alargar esta missão a outras dioceses do país.
Até hoje, estimamos que tenham sido acompanhadas mais de 200 pessoas em Portugal, que encontraram neste caminho uma oportunidade de cura, reconciliação e esperança.